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Imunossupressão induzida por sepse é dependente da idade

Sepse é definida como uma resposta inflamatória sistêmica decorrente de uma infecção, caracterizada por lesão tecidual, apoptose e disfunção do sistema imune. Relatos da literatura tem demonstrado que pacientes e animais de experimentação que sobrevivem à sepse desenvolvem um quadro de imunossupressão tardia, o qual contribui com a maior suscetibilidade destes a infecções secundárias. Nosso grupo demonstrou que as células T reguladoras (Tregs) participam ativamente do desenvolvimento desta imunossupressão. Porém, estes achados foram descritos somente em adultos e não haviam relatos na literatura destas alterações no contexto da na sepse pediátrica. Assim, o objetivo do presente trabalho foi avaliar o papel da idade na gênese da imunossupressão induzida após sepse. Para isso camundongos C57BL/6 recém-nascidos (duas semanas de idade) e adultos (oito semanas de idade) foram submetidos à sepse letal, induzida pela injeção intraperitoneal de bactérias e tratados com um suporte básico (reposição hidríca e antibioticoterapia). Inicialmente avaliamos a participação da idade na fase aguda da sepse. Demonstramos que nesta fase camundongos recém-nascidos submetidos à sepse apresentam deficiências nas funções antimicrobianas mediadas pela resposta imune inata, caracterizada pela menor migração de PMN in vivo e in vitro, e diminuição da atividade bactericida, o qual determinou uma maior susceptibilidade à sepse experimental, caracterizada por uma intensa resposta inflamatória associada com um maior comprometimento multiorgânico. Na segunda parte, nós verificamos que animais recém-nascidos sobreviventes à fase aguda da sepse, de maneira oposta aos adultos, apresentam diminuição significativa na frequência das células Tregs, fenômeno também observado em pacientes pediátricos sobreviventes à sepse. Adicionalmente, demonstramos que animais recém-nascidos que sobrevivem à sepse não apresentam aumento da diferenciação de macrófagos M2. Finalmente, em consonância com a diminuição nas células Tregs, nós verificamos que camundongos recém-nascidos pós-sépticos apresentam resistência à infecção secundária induzida pela inoculação intranasal com P. aeruginosa e ausência do comprometimento da imunovigilância tumoral dependente de células T. Finalmente, identificamos que a capacidade supressora das células Tregs de camundongos recém-nascidos assim como de pacientes pediátricos sobreviventes à sepse foi mantida, sugerindo que a diminuição no número das células Tregs e não a sua capacidade supressora a implicada no não desenvolvimento da imunossupressão. Desse modo, esse conjunto de dados, tanto no modelo experimental quanto em pacientes, demostram pela primeira vez que a disfunção imune associada com a sepse e o desenvolvimento da imunossupressão são dependentes da idade. Assim, o entendimento dos mecanismos moleculares envolvidos neste fenômeno, proporcionará interessantes achados que podem contribuir para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas com intuito de prevenir a imunossupressão pós sepse em adultos.

Data da defesa: 
24/08/2015
Local: 
Anfiteatro Prof. Dr. Pedreira de Freitas
Arquivo da dissertação: 

X Curso de Inverno em Imunologia Básica e Aplicada

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